pra refletir

MÃOS AO ALTO

14:13Giulia Britto


“O homem é o lobo do homem”, uma professora me citou essa frase uma vez e desde lá não me fugiu à cabeça, não que eu concorde com a maioria das frases que seu autor defende, pra ser sincera nem as conheço bem, mas particularmente, acho que essas palavras traduzem bastante do que a acredito a respeito da condição humana.
Não ache, com isso, que estou desacreditada da minha espécie, tampouco que eu ache que todos pertençam a esse julgamento, mas entenderá melhor ao último ponto final. Já deve ter presenciado uma briga de trânsito ao menos duas vezes até hoje, as possibilidades são imensas, não me lembro bem  quantas chegaram a me horrorizar. Mas é de se fisgar os olhos e o medo a capacidade de transformação a que se submete o ser humano em situações como essa, o estresse tem como efeito colateral a perda de controle. Por falar nisso, o controle não é lá nossa maior qualidade. E a raiva, meus caros, é a válvula de engate.
E então, nos esquecemos da família, das consequências, da “civilidade” da qual tanto nos vangloriamos, nos esquecemos de nós mesmo. O trânsito é apenas mais um cenário, isso pode acontecer até no conforto de nossos lares e vocês sabem disso. Mas de que quero tratar, afinal? Bem, vamos sem mais curvas ao ponto. Ouvi, como vocês, diversas aclamações à liberação do porte de armas e certezas de isso resolveria o problema do Brasil. Primeiro que se alguém sabe qual a solução para este país, se manifeste, porque estamos precisando dela. E segundo, entendo que pareçamos completamente controlados pra nós mesmos quando o estamos e a impressão é de que essa situação vai prevalecer não importa o que aconteça, o mesmo acontece com a alegria e com a tristeza. Não nos culpo, somos criaturas extremamente influenciáveis pelo momento.
Mas se em um instante de descontrole cometemos atos impensados, como um xingamento, um tapa, um objeto quebrado, o que não faríamos com algo mais poderoso em mãos? Lembrando que em minhas palavras o “nós” toma um sentido de generalização.
Sim, já sei que os bandidos têm armas e fazem um estrago tremendo com isso, mas quer me dizer que esse estrago diminuiria com mais armas em mais mãos? Mais disparos por minuto não são a solução para esta equação. Basta uma faísca de descontrole que temos um colapso. E como faísca entenda o fim de um relacionamento mal superado, uma fila furada, algumas cédulas trocadas ou um simples mal entendido.
Clamemos por mais fiscalização, por menos corrupção, que nem sempre vem acompanhada de política, por mais verdades, apreensões eficazes, por uma lei que vigore. Esqueçamos esse desejo por uma guerra, por uma luta de “quem pode mais”, já sabemos ao que leva ir com sede ao pote e, nesse caso, não é água o que tem pra beber.

TEXTO E ILUSTRAÇÃO: GIULIA BRITTO.

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