pra refletir

ERA UMA VEZ O VERDE E AMARELO

14:16Giulia Britto


Nunca gostei muito de futebol, não sou bem uma admiradora de competições, já que, é claro, alguém sempre sai perdendo, mas não é no pódio que se encontra minha decepção, é na rivalidade que essa palavra pode proporcionar. Da partida de uno jogada com amigos em um fim de semana ao campeonato mundial que batalhamos tanto, por anos, para participar, no final o resultado vem depois do placar. 
De quatro em quatro anos temos a oportunidade de ganhar ou aprender com um esporte quase universal em um evento que leva o nome do mundo e que, pelo menos em algum momento, pretendeu com ele nos unir. Mas há pelo menos oito desses anos percebo que o que realmente interessa não é sequer sinônimo de união e que as lições que poderiam ser ensinadas não são levadas em consideração. Às vezes, ouso a pensar que nem é o troféu aquilo que tanto buscamos com o que julgamos ser amor, mas mostramos ser ódio. Esses sentimentos não se dão em um mesmo corpo, um mesmo coração ou um mesmo objetivo. Amar o meu lado não me permite odiar o outro - a reciproca também é verdadeira.
Colocamos esses quatro anos nas costas de alguns poucos homens, humanos como nós, feitos de talentos, medos e erros, e cobramos que não os sejam, transformando-os em meras e perfeitas expectativas. Sei que é comum que em caso de erro procuremos logo os culpados, seria até repetitivo dizer minha opinião sobre a culpa, mas bem sabemos, apesar de demonstrar o contrário, que não foi só o sonho dos torcedores, cansados de gritar, acreditar e cobrar, que se foi com o soar do apito. Aqueles homens também queriam ganhar, não pretendiam errar – assim como nós em nosso primeiro ou centésimo erro – eles não pretendiam decepcionar e acabam comprando a culpa que, em momento de frustração, impomos a eles para desencargo de nossa consciência.
E quando o jogo acabou, quando achei que desta vez, sem as desculpas de “placar vergonhoso”, iriamos nos apoiar, compreender e agradecer a quem tanto se esforçou em busca de um sonho de milhões, me deparo com o ódio sendo lançado sem o mínimo de cuidado por centenas de bocas e teclados que – e a quem – em momentos de vitória tanto elogiavam, pediam e aclamavam. Vi dois nomes eleitos pela frustração e deles ser sugada toda história e humanidade, vi homens transformados em erros.
Mais uma copa se passou e nós perdemos feio – mas com “nós” não me limito à seleção –, deixamos de provar que “lutamos com garra para cada dia um povo melhor” e continuamos os mesmos. Trocadilhos a parte, com nosso jeitinho brasileiro, precisamos lembrar que o Brasil não é só quem está no campo de verde e amarelo, que o futebol não é feito só por quem tem a bola e que a força de um povo não é mostrada só nos momentos de vitória. Então, vamos lá, a hora é agora, “mostra tua força, Brasil”.


Texto e Ilustração: Giulia Britto.

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